sábado, maio 18, 2024
Gestão

Merle e Seus Segredos

Origem do Merle

A Cor Merle é uma cor oriunda do gene M, que quando presente, manifesta a coloração que comumente chamamos de merle, oriundo da “marmorização” da cor.
Ela pode ter várias tonalidades, ser escura, avermelhada, com manchas, etc. Dependendo do restante da composição dos demais genes de cores.
Está naturalmente presente em muitas raças, se é que podemos dizer “naturalmente” quando falamos em raças de animais domesticados.
Não se sabe ao certo quando essa variação surgiu nos canídeos, mas não há relatos, até o momento, de lobos dessa coloração. Logo, provavelmente essa mutação surgiu posteriormente à domesticação dos lobos. Até porque se é um gene dominante, sua existência se manifesta diretamente na cor. A não ser que eles tenham genes merles “fantasmas”, como veremos a seguir.

Desejo

Nas raças onde essa cor é antiga e está associada com os animais formadores. O público em geral já está acostumado e a procura por cães dessa cor, na maioria das vezes, não é superior a das outras cores.
Por outro lado, nas raças onde essa cor não está presente. Algumas pessoas introduziram animais de outras raças no plantel. Logo, criaram animais mestiços muito parecidos com animais puros. Mas com forte apelo comercial, pois se tratar de um cão diferente.
É naturalmente do ser humano querer ter algo “exclusivo” para mostrar aos outros de seu círculo social (amigos, família, colegas) como eles são diferenciados. Assim, cães merles em raças que não, pelo padrão, aceitam animais dessa cor, acabam recebendo muito atenção, mesmo sendo um mestiço.

Merle Fantasma

Um complicador recente são as descobertas de novas variantes do gene M, além do M e m já amplamente conhecidos. Essas outras variedades também produzem animais Merles e explicam os casos em que acasalamento de animais não merles, produzem animais merles. Os cães assim, são chamados merles “fantasmas”, “críptico” ou “ocultos”.
Esse animais tem uma combinação genética que oculta a manifestação da cor marmorizada, mas o gene está lá. A única forma de descobri-los é através de exames de DNA.
Como ainda se sabe muito pouco a respeito deles, não se sabe se um descendente de merle pode gerar filhotes merles “fantasmas”.

Saúde

Os merles, em si, não tem até o momento nenhuma contra indicação com relação à saúde. Mas trabalhar com ela exige extremo cuidado, mesmo para um criador sério.
O acasalamento entre 2 merles poderá gerar animais com graves problemas de saúde. Animais cegos, surdos, com má formação, etc.
Com o merle fantasma, mesmo o acasalamento entre um animal merle e um não merle fica sob suspeita. Logo, se o criador, de fato, não quer problemas com seus filhotes, deve ter muito cuidado ao trabalhar com merles.

Merle em Raças Antigas

A princípo, como sabíamos até pouco tempo, era muito simples, bastava não acasalar um cão merle com outro que pronto!
Nas raças onde foram introduzidos os mestiços merles, os criadores tem ainda mais desconhecimento a respeito das nuancias dessas cores, portanto, o risco de problemas existe e é grande.
A velha crenças que basta não acasalar 2 merles que está seguro, cai por terra. O risco existe até em 2 cães aparentemente não portadores do gene merle. Mas, com certeza, o risco será bem menor.
Um nova preocupação agora se torna presente em raças que antes não tinham merle nos seus plantéis e agora apresentam essa variedade. A análise mais aprofundada dos pedigrees (se forem verdadeiros) e até mesmo uma investigação através de DNA para ter certeza de qual gene o animal possui.

Vale a Pena ter Merles

Uma máxima diz que sempre que houver demanda, vai ter alguém provendo a necessidade. Logo, o Merle estará presente entre os criadores e clientes por muitos anos ainda. Às vezes sendo popular, às vezes sendo esquecido.
Se um criador desejar trabalhar com essa cor, é importante que seja realizada uma investigação criteriosa dos seus padreadores e matrizes a fim de verificar se não possuem genes merles escondidos.
Para os que trabalham em sistemas que não aceitam o gene merle, é importante que o pedigree não seja adulterado e que o criador procure uma entidade que aceite o registro correto do animal. Assim se garante que no futuro, um eventual outro criador, possa trabalhar com informações fidedígnas.

Conclusão

Merle é uma cor extrema, alguns adoram, alguns odeiam Sua padronagem traz um quê de exclusividade. Mas também é um risco. Ainda mais quando um animal não castrado, cai na mão de leigos que decidem acasalá-los.
O criador deve ter mais ciência da responsabilidade ao trabalhar com essa cor, seja na própria criação, seja na venda de seus exemplares para seus clientes.
Logo, seja muito prudente e cauteloso com seu trabalho. Saúde e bem-estar dos seus animais e dos filhotes, é responsabilidade básica de qualquer criador.
Se desejar conhecer um pouco mais sobre essa cor, acesse o site geneticacanina.com

Eduardo Antunes

CEO do SistemaPET, Criador desde 1997. Bacharel de TI pela UFPEL 1998. Especialista em Marketing Digital.

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